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Policiais no Ceará recebem capacitação em mediação de conflitos de rua

quarta-feira, 12 de julho 2017

Dentro do campo de ações do Pacto por um Ceará Pacífico está a capacitação policial para novas abordagens nas ruas. A proposta é compartilhar novas visões e práticas no contexto da cultura de paz. Como parte desse programa, foram entregues, ontem, em cerimônia realizada no Palácio Iracema, os certificados para os policiais militares e demais agentes de segurança concludentes do curso “Justiça Restaurativa de Mediação de Conflitos: Um Caminho Possível na Construção da Paz”.

A série de palestras e oficinas sobre a temática ocorreu em agosto e setembro do ano passado. Os participantes foram PMs da primeira Unidade de Segurança Integrada (Uniseg I) – Grande Vicente Pinzon. O curso partiu do objetivo de fortalecer a construção de uma cultura de paz, por meio da reflexão teórica e prática de profissionais da área de segurança.

Vice-governadora e coordenadora estadual do Pacto por um Ceará Pacífico, Izolda Cela participou da entrega dos certificados. Ela destacou que a implementação destes cursos colabora para a Polícia resgatar a confiança da população, por meio de mais competência na hora de resolver conflitos interpessoais e assumir sensibilidade diante de problemas sociais dentro da sua localidade de atuação. “O fortalecimento das práticas de mediação, justiça restaurativa e ciclos de construção de paz é uma das frentes que considero mais importante nesta agenda em prol de um Ceará mais pacífico. É uma frente imprescindível. Juntamente com várias instituições do Estado e privadas, que já se dedicam a esse tema, estamos buscando garantir que esse ideal chegue da forma mais vigorosa e ampla possível para a sociedade”, afirmou Izolda.

Alternativas
Uma das responsáveis pela organização do curso, a coordenadora de Articulação e Mediação Social do Gabinete da Vice-Governadoria, Cristiane Holanda, ressaltou que é trabalhando os princípios da Justiça Restaurativa que é possível chegar a uma polícia mais solidária, apoiadora, responsável por oferecer resgate e interação com a comunidade.

“Mais do que desmilitarizar a Polícia, queremos que ela olhe para o cidadão e enxergue a possibilidade dele se tornar um ser humano diferente, entrando numa nova trajetória de vida. Saímos da Justiça punitiva, que é aquela que só quer reprimir, controlar, bater, e infelizmente é o que ainda acontece. E a gente tem também uma Justiça negligente, que é aquela que não tem controle nem apoio. Há também a Justiça permissiva, a de passar a mão na cabeça, também não adequada. Precisamos de uma Justiça Restaurativa. Controle e apoio, para que o jovem saia da situação”, explicou.

Transformação
Comandante da Uniseg I, capitão Messias Mendes afirmou que a ideia de envolver a Polícia Militar no curso surgiu a partir de uma percepção da “condição falível” do Direito Penal como única opção para resolver os conflitos urbanos. Para ele, somente com o amadurecimento de profissionais de segurança mais próximos das comunidades e mais sensíveis aos problemas da população é possível avançar no combate à violência no Estado.
“A gente sabe que o Código Penal não consegue atingir o nível de paz que idealizamos enquanto instituição que busca a tranquilidade pública. O Direito Penal muitas vezes potencializa o sentimento de raiva, ódio e vingança pelo outro. Dentro dessa concepção, vislumbrando nos processos alternativos na resolução de conflito, buscamos que o policial consiga oferecer uma negociação entre as partes. Queremos profissionais com essa sensibilidade. Tem sido uma experiência muito exitosa capacitar nosso efetivo para desenvolver essas ferramentas para aplicar nas ruas”.

Fonte http://www.oestadoce.com.br/geral/policiais-recebem-capacitacao-em-mediacao-de-conflitos-de-rua