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Líderes rivais líbios chegam a acordo de cessar-fogo e para realizar eleições

Encontro entre o chefe do governo de unidade nacional da Líbia Fayez al Serraj e o marechal Khalifa Hafter aconteceu na França.

O chefe do governo de unidade nacional da Líbia, que conta com apoio da ONU, Fayez al Serraj, e o marechal Khalifa Hafter, que controla o leste do território líbio, se encontraram nesta terça-feira (25) na França, onde concordaram com um acordo de cessar-fogo no país norte-africano e a realização de eleições em 2018. O encontro foi mediado pelo presidente da França, Emmanuel Macron.

A Líbia está imersa em uma guerra civil desde 2011, sendo de fato dividida em duas regiões independentes, a Tripolitânia e a Cirenaica, desde 2014. Enquanto o governo de Sarraj, com sede em Trípoli, conta com o reconhecimento da comunidade internacional, o de Haftar é apoiado por islamistas e está sediado em Tobruk, com domínio de cerca de 60% do território líbio e importantes recursos petrolíferos.

O encontro terminou com uma declaração conjunta de dez pontos acordados entre os líderes. Além da convocação de eleições “o mais rápido possível”, eles se comprometeram em estabelecer um roteiro para a retomada da ordem no território líbio.

A solução da crise no país “só pode ser política”, concordaram Sarraj e Haftar, num texto que reconhece a validade de um acordo mediado pela ONU e assinado no Marrocos, que prevê a formação de um governo de unidade nacional, pondo fim aos dois governos líbios rivais.

Após a reunião, Sarraj e Haftar se uniram a Macron para uma coletiva de imprensa, mas o único a se pronunciar diante dos repórteres foi o presidente francês. Macron exaltou a “coragem histórica” dos líderes líbios e afirmou que um processo eleitoral deve ser realizado no primeiro semestre de 2018.

“A partir de hoje, o primeiro-ministro Sarraj e o general Haftar podem se tornar símbolos da unidade nacional e do compromisso com a reconciliação e a paz”, declarou Macron. “Há legitimidade política nas mãos de Sarraj, e há legitimidade militar nas mãos de Haftar. Eles decidiram trabalhar juntos”.

O líder francês ainda destacou que “o que está em jogo” nas conversações é de “imensa” relevância não só para o povo líbio e para a região norte-africana como um todo, mas também para países da Europa, uma vez que influencia questões como o fluxo migratório.

O acordo representa um importante passo para a estabilização da Líbia, vítima do caos e da guerra civil desde que rebeldes apoiados pela Otan conseguiram, em 2011, derrubar o ditador Muammar Kadafi, no poder desde 1969.

Os dois líderes, que disputam o controle do país com o apoio de várias milícias, se reuniram pela primeira vez em 2 de maio passado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, num encontro que terminou sem um acordo entre as partes.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/lideres-rivais-libios-concordaram-em-promover-eleicao-em-2018-diz-franca.ghtml